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Em 2002, John Williams foi abordado pela direcção da Los Angeles
Philharmonic para compor uma melodia para o carrilhão do novo Walt Disney
Concert Hall, a nova casa da orquestra, projectada pelo arquitecto Frank
Ghery. Williams compôs a melodia, mas desenvolveu-a até criar uma nova
composição para orquestra, que demonstra-se as potencialidades acústicas
da nova sala de concertos. "Soundings" para orquestra, tem uma
duração aproximada de catorze minutos e percorre todos os sons que a
orquestra moderna consegue criar, proporcionando uma cortina de som
ao ouvinte, e concluindo, de forma apropriada, num tom festivo, com a
melodia originalmente escrita para o carrilhão.
Williams dirigiu a estreia mundial de Soundings a 25 de Outubro de 2003,
interpretada na ocasião pela Los Angeles Philharmonic Orchestra, no
terceiro concerto de gala inaugural do Walt Disney Concert Hall. Para as
notas do programa do concerto, Williams providenciou uma breve, mas elucidativa,
introdução à composição:
"Ao escrever Soundings, eu pensei nisso
como uma peça experimental para o Walt Disney Concert Hall, na qual uma
colecção de sonoridades coloridas pudessem ser exemplificadas no novo
ambiente da Los Angeles Philharmonic. A peça é num extenso movimento,
dividido em cinco secções.
"Na primeira secção, "The Hall Awakens" [O Hall Acorda], eu decidi começar com quatro compassos de silencio de forma a,
pelo menos simbolicamente, capturar o Hall no seu repouso. As flautas
então interrompem o silencio ao murmurar suavemente no seu registo mais
baixo. Sonoridades das trompas e metais seguem-se, e uma secção de
cordas em uníssono sem acompanhamento permite-nos testar a simpatia do
Hall para com esse magnifico grupo.
"Isto é seguido por "The Hall Glistens" [O Hall Brilha],
no qual uma completa bateria de percursão e totalmente escritos efeitos
tremeluzentes sugerem brilhantes clarões de luz que podem emergir
enquanto o sol é reflectido pelas grandes "velas" exterores
de Frank Gehry.
Antes, enquanto eu admirava o Hall e estudava o seu interior, eu
imaginei como poderia ser se as superficies brilhantes do exterior do
edifício pudessem ressoar e o Hall realmente "cantasse" para
nós. Estes pensamentos sugeriram a terceira secção, "The Hall
Responds" [O Hall Responde], na qual o próprio Hall se torna num
parceiro na música. A orquestra faz soar um vibrante ré baixo, e o
Hall reverba e responde. Três outras grandes velas ressoam enquanto a
orquestra, liderada pela flauta solo, envia mensagens que nos são
devolvidas de vários locais do Hall.
"Na quarta secção, "The Hall Sings" [O Hall Canta], as
quatro grandes notas das velas - Ré, Mi, Dó e Si - atingem a sua
maturidade e livremente movem-se pelo Hall enquanto a orquestra as
suporta. Elas eventualmente ascendem e desaparecem sobre nós enquanto estas
unidades vibrantes regressam para tomar os lugares moleculares fixos na
estrutura do edifício... pelo menos na nossa imaginação.
"A peça termina com a quinta secção, "The Hall Rejoices"
[O Hall Rejubila], e aqui a orquestra celebra com a sua voz completa.
O material motívico para este finale vem de uma sugestão da Presidente
da Los Angeles Philharmonic e Chief Executive Officer Deborah Borda,
para que eu escrevesse uma sequência para os sinos do carrilhão que
iriam soar na entrada para anunciar o final de um intervalo. Para
conseguir isso eu sugeri cinco notas de "chamamento" Fá# -
Ré# - Fá# - Sol# - Fá# e um grupo de seis notas Sol - Sol - Fá# -
Lá - Ré - Si que gentilmente nos recordam que é tempo de concluir as
nossas conversas e regressar aos nossos lugares. Esta sequência de
notas forma a base do finale e a peça termina com o próprio Hall
"a intrometer-se" na conclusão festiva.
"Eu sinto-me honrado por me ter sido pedido para escrever um trabalho
para um dos concertos inaugurais do Walt Disney Concert Hall e um tema
mais inspirativo para música não podia ser imaginado."
-- John Williams
Recursos: Williams, notas para o concerto "Soundstage L.A.",
25 de Outubro de 2003. |